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CINEMA DE CORREDOR

MOSTRA SALLA TYKKA

 
Exibição:
7 a 31_maio_2008


seg a sex das 14h às 21h;
sáb das 11h às 17h

entrada franca



 

 

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Cave, 2003 (photo by Samuli Saastamoinen)


O PROJETO

Em conjunto com o artista plástico e cineasta Wagner Morales, o centro cultural b_arco criou um projeto único em São Paulo: o Cinema de Corredor. Trata-se de uma sala de projeção montada literalmente no corredor do espaço cultural, onde são exibidos filmes e vídeos realizados essencialmente por artistas. O espaço conta com poltronas, sofás, bancos e almofadas sempre à disposição do espectador.

O projeto tem como finalidade dar visibilidade a uma produção audiovisual que dificilmente temos a chance de ver fora do circuito de bienais, exposições e festivais.

Como na arte contemporânea as possibilidades de uso do vídeo e do cinema são infinitas, a programação é constantemente renovada. A curadoria de Morales tenta dar conta desta vasta produção exibindo registros vídeográficos de performances, documentários, falsos documentários, versões single-channel de vídeo-instalações e narrativas experimentais.



     A MOSTRA   

    Dando continuidade ao projeto CINEMA DE CORREDOR, o centro cultural b_arco      com curadoria do artista Wagner Morales selecionou para a próxima mostra                   trabalhos de uma jovem artista finlandesa, Salla Tykka.

 

    Salla Tykka nasceu em Helsinque, na Finlândia 1973, onde vive e trabalha e já             realizou inúmeras exposições importantes pelo mundo, das quais se destacam:             Bienal de Veneza (2001), Casino Luxemburgo (2002), Palais de Tokyo (2006),             Brooklyn Museum (2007).

    Esta é a primeira vez que a artista mostra seus trabalhos no Brasil.


 

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          A AUTORA 

Para dar conta dos filmes de Salla Tykka, a célebre frase do agente Cooper, o personagem do seriado Twin Peaks (1990-91) criado por David, é perfeita: "Don't look for all the answers at once / não procure por todas as resposta ao mesmo tempo".    

 

Tykka, gosta de misturar as coisas e sugerir a confusão entre as memórias pessoais e aquelas que adquirimos vendo filmes. Em seus filmes, cada cena e cada som são vagamente reconhecíveis, tudo parece que já foi visto ou ouvido em algum outro lugar. Apesar de cada filme desta trilogia flertar com algum gênero holywoodiano e se valer da re-utilização de trilhas sonoras clássicas, as imagens de Salla Tykka nunca poderiam ser consideradas um remake ou a emulação de um original perdido. Ao contrário, tais referências estão ali, acrescentando novas camadas, novas superfícies à tudo que já foi visto no cinema, justamente porque nós também nos impregnamos por estes filmes. Camada por camada, nossa história também é a história do cinema.

 

Desde 2000, Salla Tykka vem trabalhando com filmes de 35mm e entre 2000 e 2003 ela produziu uma trilogia, a Cave Trilogy, mundialmente conhecida. É esta trinca de filmes que o "cinema de corredor" tem o prazer de exibir pela primeira vez no Brasil. Fazem parte da trilogia, os filmes Lasso (2000), Thriller (2001) e Cave (2003). Pode-se dizer que a unidade destes três filmes curtos está, além do apuro estético, na forte carga emocional, no fato de todos eles se referirem diretamente à linguagem cinematográfico e na onipresença da protagonista feminina. No entanto, isso ainda seria muito pouco para tentar descrever a experiência de assistir aos filmes de Salla Tykka.

 


VÍDEOS EXIBIDOS

Salla Tykka

     
          THE Cave Trilogy: Lasso (2000), Thriller (2001), Cave (2003)

        (Duração total: 20’49”)

 

 

 


 

MOSTRAS ANTERIORES

 

MOSTRA
KOKI TANAKA

A mostra exibiu os trabalhos do jovem artista japonês Koki Tanaka que, pela primeira vez, exibe um conjunto de seus vídeos recentes (2005/2007) no Brasil.

 

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how to draw a line on the road, 2007, 1’10”

 

Koki Tanaka é um artista japonês que gasta seu tempo olhando para as coisas banais do cotidiano: lixeiras, papeizinhos, mesas, caixas de leite, copos plásticos, bolas, baldes.

Em suas instalações e vídeos, essas coisinhas que estão sempre por aí recebem uma atenção especial. É como se lançássemos um olhar terno e generoso na direção desses objetos. É como se, de repente, resolvêssemos perguntar praquele rolo de papel higiênico que fica em cima da prateleira “cara, você estava aí parado esse tempo todo? Vamos fazer um passeio? Aproveita e convida a prateleira aí debaixo também”. E, neste passeio, as coisas acontecem.

Seus trabalhos nos remetem àquela situação da criança que, colocada de castigo longe dos seus brinquedos, começa e rearranjar o espaço com as coisas que estão ali, construindo diversão com o pouco que lhe restou: a vassoura da mãe, o guarda-chuva da avó, um pé de sapato desparceirado. Para Koki Tanaka, todas essas coisas são abstratas. Tudo é uma variedade de objetos e momentos esperando por nós para que sejam lançados na direção de uma nova perspectiva.

Seus vídeos são tentativas de reordenamento do mundo e o prazer de assistí-los beira a experiência infantil do desejo de repetição. Quando acabam, quase falamos “de novo! de novo!”.

Koki Tanaka nasceu em Tochigi, Japão em 1975. Vive e trabalha em Tokyo. Já realizou inúmeras residências artísticas pelo mundo, destacando as mais recentes no Palais de Tokyo, em Paris e no Centro Paul Klee, na Suíça.

          Artista internacional, já expôs na França, Estados Unidos, Itália, Canadá, Hungria,
         Dinamarca e Rússia.
  

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CINEMA DE CORREDOR 2007
MARK RAIDPERE E JORDI COLOMER

 


Mark Raidpere nasceu na Estônia em 1975 e foi representante de seu país na Bienal de Veneza de 2005. Nesta mostra, Raidpere é representado por dois trabalhos onde a figura do pai e da mãe são o centro temático: Shifting Focus (2005) e Working in Progress (2005).

 

Jordi Colomer, catalão de Barcelona e nascido em 1962, aparecem com dois trabalhos de uma série que aponta para outra direção: o público, a arquitetura, a cidade e suas representações.

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        Mark Raidpere

SHIFTING FOCUS - Mostra uma conversa forçada entre mãe e filho. Neste trabalho, Raidpere evidencia a aparência de sinceridade que caracteriza esta série de obras-entrevistas realizadas com seus pais divorciados. São evocações doentias e quase compulsivas com cenas de uma família de classe média desmantelada.

WORKING IN PROGESS - Tem o PAI como figura chave. Quase como uma entidade maligna e desestruturadora, tal figura é vista de modo trágico e distante. O trabalho nos remete a um réquiem da figura de autoridade, uma mistura de missa e homenagem para alguém que não está mais ali. Alguém que não consegue mais desempenhar o seu papel, a não ser de maneira trágica e burlesca.

Os dois trabalhos vistos lado a lado nos remetem à extrema carga dramática do privado. Família, crise, pai, mãe. No entanto, graças à extrema atenção dada por Raidpere à nuances psicológicas comuns a todos nós, seus trabalhos adquirem um significado social mais amplo e coletivo.

Jordi Colomer

ANARCHITEKTON é o titulo genérico de uma série de vídeos realizados como um work in progress. Barcelona, Bucareste, Brasília e Osaka foram as primeiras paradas desta jornada. O personagem Idroj Sanicne viaja pelas cidades contaminando-as com estranhos modelos de construções. Provocações utópicas que mais parecem estandartes festivos ou banners grotescos. Idroj Sanicne aparece correndo num ritmo entrecortado de imagens fixas e reproduzidas em seqüência. Ideais para serem vistas em looping, as seqüências parecem não ter fim.

Epsódio ANARCHITEKTON / BRASÍLIA - O personagem carrega uma maquete do edifício do Congresso Nacional. Atualmente, o lugar é o foco de toda manifestação popular na cidade e é para aquele centro que todos vão quando querem protestar contra o governo. Paradoxalmente, ao transformar o Congresso em estandarte, Jordi Colomer subverte sua imobilidade e, literalmente, o coloca pra correr em direção à periferia de Brasília.

          

Epsódio ANARCHITEKTON / BARCELONA - O personagem percorre três lugares nos arredores da capital catalã, que foram importantes para a história recente da cidade: os bairros periféricos surgidos a partir dos anos 60. Todos são lugares que têm a função de acomodar pessoas que vieram de longe. Representam uma arquitetura habitacional repetitiva, à la projeto Cingapura, que nós conhecemos tão bem. Além do caráter fronteiriço, estes bairros têm em comum uma mistura de abandono e eterno não acabamento, próprios de qualquer periferia de uma grande cidade.